
" Olhei para trás e vi horizontes de caminhos desconexos
Não adiantava não ver a mim
Mas o que via mal se delineava
Sombras borradas de um tempo sem fim
Quis pegar meu corpo etéreo
Desmanchava-se em pedaços incoláveis
Na minha agonia de querer
Comia vorazmente meus desejos
Num banquete louco, solitário, sem acordes nem harpas
Vi tudo e não vi nada
Não fui a cartomantes nem joguei as cartas
Destinos que dilaceram malas prontas e arrumadas
Quebrei todos os saltos
Pintei os lábios de um batom borrado
Carmim da cor do pecado
Fiquei frente a frente comigo
Nua, despida de tudo, vestida de nada
E vi o algoz de mim."
Poema: Fátima Lima
Imagem: Fotografias de Irina Ionesco