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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

QUIETÂNCIA





" Por entre as linhas do desassossego

Escondem-se delicadezas

Há tempo não tenho a acidez dos gestos

Tenho olhares que resplandecem acontecimentos

Remendos de mim, do tempo...

Uma permanência quietante

Perfaz dias cotidianos

Permeado de flores veranis

Na palavra urdida a cada dia

A possibilidade de ser em mil

Presenças de acontecimentos

Relógios dizendo é tempo,

um tempo não vil

Mas a vida me diz

Em silencioso segredo

Num quase gotejante sussurro

Que se faz ser a cada dia"




Poema: Fátima Lima
Foto: Fátima Lima

sábado, 5 de dezembro de 2009

" Mamute Siberiana"


"Siberiana tomo a vida em recolhimento

Mamute em hibernação em pleno verão

Caracol em concha

Ouços sons do mar à distância

Costuro pérolas calcificadas há anos

Passos na areia sem pressa

Apuro os sentidos como nunca fiz

Nesse tempo de re(colhimento)

Sinto a vida afinar

Aos sons de instrumentos interiores

em acordes pefeitos e soantes".


Uma homenagem a "Cuba" interior em mim


Poesia: Fátima Lima

Escultura: Gerson Lima

domingo, 22 de novembro de 2009

Ponto final




"As paixões habitam

Nas (im) possibilidades

Nos inter [calos] dos (ditos)

Nas palavras urdidas em lapsos cotidianos

Nas frases tecidas

Com vírgulas, reticências (...)

e pontos finais."


Texto: Fátima Lima

Imagem: Internet

Carta da "inspiração" ao poeta..




"Queria..

Ser o feminino

De todos os seus versos

Celebrados a cada dia

E esquecer

O último poema

Assinado

No anonimato."



Poesia: Fátima Lima

Texto: Lágrimas de Man Ray

domingo, 15 de novembro de 2009

"Gênese"




“Certa vez, em Maracaípe, litoral de Pernambuco, vivi uma das maiores experiências sensoriais que minha memória tem registro. Estava em um rio, há alguns quilômetros da praia e do povoado. No deslocamento de volta era preciso passar por uma extensa faixa de areia. À medida que caminhava, rumo à praia e ao vilarejo, me distanciava cada vez mais das pessoas e das vozes. Aos poucos, me vi naquela imensidão, só o soprar do vento e um enorme silêncio, um silêncio tão profundo que me atordoou. Pensei - a morte deve ser assim: silenciosa, profundamente silenciosa como a vida, na sua gênese, é. Por coincidência, recentemente li um texto de Michel Foucault sobre o silêncio “ Silêncio, sexo e verdade”. Cansada das leituras acadêmicas, comecei a ler “ Antes do nascer do mundo” de Mia Couto( altamente recomendável) e, tomada de súbito, o primeiro capítulo trazia o personagem Mwanito – o afinador de silêncio. Pensei: Como, nessa sociedade verborrágica, esquecemos de cultivar o silêncio e perceber o que ele nos fala.”

Gênese

“ No silêncio habita linguagens

Palavras mudas

Gestos por vir

No silêncio

Se funda a vida

Inscrita antes do existir...

O Silêncio urde gestos

Acaricia a pele

Emudece lábios

Ordena a vida

Revolve o caos”


Texto e Poesia: Fátima Lima

Imagem: Tela " O silêncio onde arde o sol" de Adeise Aparecida Pinez